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Jones notou que dois "sistemas de resposta" eram utilizados
no condicionamento direto: uma reação positiva e uma
negativa (Jones, 1924b p.389). Assim que ocorresse uma reação
negativa, o estímulo eliciador de medo era gradualmente afastado,
até o ponto em que não mais interferisse com a refeição
de Peter. Subseqüentemente, era colocado progressivamente mais
próximo, à medida que aumentava a tolerância
ao estímulo negativo, resultando, em última análise,
em uma resposta de medo extremamente reduzida. Jones enfatizou que
era preciso ter cuidado ao utilizar tal procedimento, uma vez que,
se o pesquisador não fosse cuidadoso, poderia acidentalmente
ligar "uma reação de medo à visão
do alimento", ao invés de ligar uma reação
positiva à visão do estímulo temido (p.389).
O "descondicionamento" também foi utilizado algumas
vezes durante esta fase; Jones notou que, quando outras crianças
entravam e quando o Dr. S, um aluno assistente, estava presente,
muitas vezes ocorriam elevações notáveis no
progresso de Peter.
Durante a entrevista final do estudo, Peter expressou "uma
afeição genuína pelo coelho" e seus medos
de algodão, do casaco de pele e de plumas tinham se dissipado
completamente, enquanto suas reações de medo do rato
e do tapete de pele tinham diminuído muito" (Jones,
1924a, p.314). Jones concluiu: Peter "foi aparentemente auxiliado
a dominar muitos medos supérfluos, alguns deles completamente,
alguns em menor escala. Sua tolerância a animais estranhos
e a situações desconhecidas aparentemente aumentou"
(p.314). Em seu estudo do caso do pequeno Peter, Jones demonstrou
que tanto o "descondicionamento" como o "condicionamento
direto" foram bem-sucedidos na eliminação de
respostas de medo.
As implicações das descobertas de Jones sobre a eliminação
de medos em crianças, que ela relatou em 1924, tiveram impactos
duradouros no campo da psicologia. O trabalho de Jones com o pequeno
Peter e com as outras crianças, no início da década
de 20, foi realmente notável; seus métodos e técnicas
foram revolucionários e seriam replicados e reinventados
por outros por várias décadas. A técnica de
condicionamento direto de Jones é "geralmente considerada
como a precursora da dessensibilização sistemática"
(Kalish, 1981, p.98), uma vez que o pareamento de um estímulo
eliciador de medo com um estímulo que elicia uma resposta
incompatível (ou seja, positiva), resultando em redução
do medo, é central à dessensibilização
sistemática (Wolpe, 1958). Jones parece ter sido também
a primeira pesquisadora a utilizar formalmente a imitação
social com humanos em experimentos clínicos: até a
década de 20, quando Jones começou seu trabalho com
Peter e as outras crianças, a imitação social
não tinha sido usada explicitamente com humanos em ambientes
experimentais, controlados. Como expresso de maneira tão
apropriada por Bandura e Walters (1963), "apesar da prevalência
da aprendizagem imitativa na aquisição de comportamento
social, ela raramente tem sido deliberada e sistematicamente usada"
e esses autores citam Jones como uma pesquisadora que "utilizou
explicitamente o método de imitação social"
(pp.242-243).
Equivalentes do método de "condicionamento direto"
e de "descondicionamento" de Jones (p.ex., dessensibilização
ao vivo e imitação) continuam a ser utilizados para
corrigir comportamentos não-adaptativos. Por exemplo, um
estudo recente descobriu que a dessensibilização ao
vivo era eficaz para aumentar a adesão a procedimentos dentários
em pessoas com retardo mental (Conyers, Miltenberger, Peterson,
Gubin, Jurgens, Selders, Dickinson e Barenz, 2004). Outro estudo,
de Eikeseth e Nesser (2003), examinou a eficácia da imitação
vocal em crianças com distúrbios fonológicos
e descobriu que o treino imitativo resultou em melhor articulação,
em todos os participantes. Outros relatos demonstram que a dessensibilização
ao vivo e a imitação, usadas em conjunto, são
eficazes na alteração de comportamento. Newman e Adams
relataram um estudo de caso de um adolescente com distúrbios
de aprendizagem, que sofria de fobia de cachorros (2004). Para tratar
o rapaz, eles desenvolveram uma hierarquia de medo individualizada
e usaram modelação e dessensibilização
sistemática para aumentar lentamente o nível de exposição
e, ao mesmo tempo, controlar a ansiedade. Newman e Adams descobriram
que a modelação e a dessensibilização
sistemática eram eficazes para reduzir significativamente
a resposta de medo de cachorro do rapaz, exatamente da mesma maneira
que Jones descobrira que o "condicionamento direto" e
o "descondicionamento" eram métodos eficazes para
eliminar o medo de coelhos em Peter.
Embora tenham sido renomeados, a idéia de Jones de "graus
de tolerância" e seus métodos de "condicionamento
direto" e de "descondicionamento" são usados
até os nossos dias em modificação de comportamento.
A compreensão de Jones a respeito das técnicas e do
por quê de seu sucesso em ajudar a eliminar medos e em modificar
comportamento foi de grande perspicácia. É muito apropriado
que Mary Cover Jones seja considerada a "mãe da terapia
comportamental" (Mussen e Eichorn, 1988), devido a seu papel
fundamental na evolução do campo da terapia comportamental.
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Referências
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