Jones publicou um artigo em 1924, no qual relatou suas descobertas sobre vários métodos de eliminação de medo em 70 crianças (Jones, 1924a). Sete métodos de remoção de respostas de medo foram testados nesse estudo: eliminação por desuso, apelo verbal, repressão, adaptação negativa, distração, condicionamento direto e imitação social. O método de eliminação por desuso pressupunha que os medos desapareceriam gradualmente caso fossem apenas deixados de lado. O apelo verbal incluía persuasão e falar positivamente a respeito do estímulo temido. O método de repressão usava a provocação feita por pares para tentar remover o medo. A adaptação negativa assemelhava-se a uma técnica de habituação em que o estímulo temido era repetidamente apresentado. O método de distração tentava desviar a atenção da criança para algo que não o estímulo temido. O condicionamento direto apresentava gradualmente o objeto temido, enquanto o sujeito se engajava numa atividade que eliciasse uma resposta agradável. Finalmente, o método de imitação social usava os pares para dar modelo de interações desejadas com o estímulo eliciador de medo e de reações a ele. Jones testou cada um destes métodos e, no geral, concluiu que eliminação por desuso, apelo verbal, adaptação negativa, repressão e distração às vezes eram eficazes, mas deveriam ser usados basicamente em combinação com outras técnicas. Jones concluiu que dois dos métodos estudados, imitação social e condicionamento direto, eram bastante bem-sucedidos na remoção de reações de medo.

Em 1924, Jones publicou também um estudo de caso que delineava como a imitação social e o condicionamento direto podiam ser aplicados para eliminar medos em uma criança (Jones, 1924b). Jones se referia ao estudo do caso do pequeno Peter como sendo uma "seqüência" do estudo de Watson com Albert (p.308). Diferentemente de Albert, no entanto, que fora condicionado a temer ratos num ambiente experimental, as origens dos medos de Peter eram completamente desconhecidas. Peter demonstrava medo quando exposto a um rato branco, a um coelho, a um casaco de pele, a uma pluma e a algodão, mas não apresentava qualquer resposta de medo em relação a blocos de madeira e "brinquedos similares". Jones descobriu que Peter mostrava mais medo em relação a coelhos e, conseqüentemente, decidiu utilizar um coelho como estímulo eliciador de medo, durante o experimento.

O primeiro método implementado por Jones, num esforço para eliminar a reação de medo em Peter, foi a imitação social que, neste estudo, Jones chama de "descondicionamento". Durante esta fase do experimento, três outras crianças, escolhidas por sua atitude de total ausência de medo em relação ao coelho e por sua boa índole, eram trazidas diariamente ao laboratório para brincar com Peter. Nesse período de brincadeiras, o coelho era apresentado ao menos durante parte do tempo. Gradualmente, "Peter adotou o tipo de comportamento apresentado por seus companheiros" (Jones, 1931, p.91) e, depois de apenas sete de tais sessões de brincadeiras, a resposta de Peter ao coelho melhorou extraordinariamente, passando de "grande medo" para "indiferença tranqüila e até mesmo um tapinha voluntário nas costas do coelho, quando os outros davam o exemplo" (Jones, 1924b, p.312). O procedimento de "descondicionamento" realizado por Jones foi bem-sucedido na eliminação da resposta condicionada de Peter.

O estudo foi interrompido por dois meses, quando Peter contraiu escarlatina. No retorno ao laboratório, um cachorro grande saltou sobre Peter e sua enfermeira, assustando a ambos e, aparentemente, retraumatizando o garoto. Quando Peter voltou do hospital, outro método, a saber, "condicionamento direto", foi usado para eliminar seus medos.

Jones apresentou a seis alunos de pós-graduação a "escala de tolerância", uma cadeia de afirmações que Jones acreditava descrever passos sucessivos em direção à tolerância ao estímulo condicionado. Ela pediu aos alunos de pós-graduação que organizassem as dezessete afirmações em ordem de menor até maior tolerância ao coelho, criando uma perspicaz hierarquia de medo que demarcava "passos progressivos em seus graus de tolerância":

A: Coelho em uma gaiola, em qualquer ponto da sala, causa reações de medo.
B: Coelho tolerado a 3,5 metros de distância, dentro da gaiola.
C: Coelho tolerado a 1,2 metro de distância, dentro da gaiola.
D: Coelho tolerado a um metro de distância, dentro da gaiola.
E: Coelho tolerado dentro da gaiola, mas próximo.
F: Coelho tolerado solto na sala.
G: Coelho é tocado quando seguro pelo pesquisador.
H: Coelho é tocado enquanto solto na sala.
I: Coelho é desafiado através de cuspidas, objetos atirados e imitação de seus movimentos.
J: Coelho é aceito na bandeja do "cadeirão".
K: Agacha em posição indefesa ao lado do coelho.
L: Ajuda a pesquisadora a carregar o coelho até a gaiola.
M: Segura coelho no colo.
N: Fica sozinho na sala com o coelho.
O: Aceita a companhia do coelho dentro de seu "chiqueirinho".
P: Acaricia o coelho afetuosamente.
Q: Permite que o coelho mordisque seus dedos. (pp.310-311)

Jones definiu o condicionamento direto como "quaisquer tentativas específicas de associar ao objeto temido um estímulo definido, capaz de provocar uma resposta positiva (agradável)" (Jones, 1924a, p.388). Para implementar esta técnica, ela reconhecia que deveria haver, em primeiro lugar, um motivo forte. Jones afirmou que a fome parecia ser o melhor motivo e antecipou que se alimentar de uma comida saborosa, quando faminto, criaria uma resposta incompatível com o medo. Assim, num momento em que estivesse com fome, Peter era colocado em seu "cadeirão" e recebia alimentos de que gostava. Enquanto o garoto comia, a pesquisadora colocava o coelho, engaiolado, o mais próximo possível de Peter, sem provocar uma resposta que interferisse com sua refeição. Como resultado, "através da presença do estímulo agradável (alimento), sempre que o coelho era mostrado, o medo foi gradualmente substituído por uma resposta positiva" (p.313).

[Continua]