Resumo: A crescente prática psicológica em realidades institucionais diversificadas e complexas, vem exigindo o repensar desta, a reformulação de posturas e o delineamento de novas estratégias de intervenção. O câncer é um problema de saúde pública, que tem a prevenção, o diagnóstico precoce e a reabilitação como pontos fundamentais da luta contra a doença. Quando não é possível curar, o alívio do sofrimento torna-se o alvo de intervenção. O presente artigo tem como objetivos relatar e sistematizar uma experiência de intervenção no contexto hospitalar, junto a pacientes oncológicas. Através do relato da experiência de uma estagiária de Psicologia no ICL (Hospital Antônio Prudente de Londrina), descrever algumas dificuldades encontradas e apontar possíveis soluções para as mesmas. O trabalho foi desenvolvido com 80 pacientes oncológicos e 15 familiares e teve a duração de um ano e meio. Foram atendidos pacientes da ala de quimioterapia, cobalto terapia, bem como pacientes internados para procedimentos pré e pós- cirúrgicos. Para a realização das intervenções adotou-se os pressupostos teóricos da Análise do Comportamento, ao mesmo tempo em que procurou-se criar estratégias de intervenção que pudessem solucionar as dificuldades encontradas. Uma delas, foi a das limitações no estabelecimento do vínculo terapêutico, dada a alta rotatividade dos pacientes atendidos, bem como o período de intervenção psicológica a que são submetidos, em função muitas vezes do reduzido tempo de permanência no contexto da instituição. Outra dificuldade apontada referiu-se à escassez de literatura baseada na Análise do Comportamento, que pudesse embasar a atuação específica nesse contexto, que pudessem definir operacionalmente o trabalho a ser realizado e, por isso, fez com que as estratégias de intervenção adotadas fossem desenvolvidas pela estagiária, a partir da adaptação de estratégias de outros contextos. A implementação das intervenções mostrou que as estratégias desenvolvidas foram efetivas no sentido de aliviar o sofrimento e propiciar adaptação às contingências produzidas pela doença, ambiente hospitalar, procedimentos de tratamento e isolamento do convívio familiar, dentre outras. Este trabalho chama a atenção também para a necessidade de um trabalho em equipe interdisciplinar, que possa melhor atender aos objetivos de atuação de cada área individualmente, integrando esforços que possam contemplar mais amplamente a saúde e qualidade de vida da população atendida.
Palavras-chave: Pacientes oncológicos, Analista do Comportamento, Contexto hospitalar, estratégias de intervenção.
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