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"Os principais problemas enfrentados hoje pelo mundo só poderão ser resolvidos

 se melhorarmos nossa compreensão do comportamento humano" (Skinner, 1974, p.8)

 

 

Programação XVIII Encontro ABPMC - 2009

MESA REDONDA

Título da mesa: Diferentes formas de produção de variabilidade comportamental e suas implicações para a aprendizagem.
Coordenador: Juliana  Godoi, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Resumo: A variabilidade comportamental tem sido estudada como dimensão do comportamento operante em muitos estudos em análise do comportamento (Goetz e Baer, 1973; Boucher, 1977; Manoel e Connolly, 1995; Miller e Neuringer, 2000; Hunziker e Lee, 2002; Holman, Goetz e Baer, 1977; Marçal, 2006; Page e Neuringer, 1985; Machado, 1989; Denney e Neuringer, 1998; Neuringer, Deiss e Olson, 2000; Grunow e Neuringer, 2002; Yamada, 2007; Caldeira, 2009; Godoi, 2009). Estes estudos observaram aumento nos índices de variação na condição de reforçamento direto do variar (variabilidade produzida). Diferentes esquemas de reforçamento têm sido usados para produzir altos índices de variação em respostas de humanos e animais, resultando em dados particulares. Nesta mesa serão apresentados e discutidos estes diferentes esquemas e seus respectivos produtos. O aumento da variabilidade comportamental gera uma linha de base ampla que facilita a seleção de uma determinada variação. Porém, dados apresentados nesta mesa mostram que algumas contingências de reforçamento podem prejudicar a seleção dessa variação. Os estudos sobre a produção de variabilidade comportamental são de especial importância para a intervenção com crianças e adolescentes diagnosticados como autistas, visto que esta população apresenta repertório comportamental restrito e comportamentos repetitivos. As contingências de reforçamento do variar comumente usadas exigem altos índices de variação que não seriam facilmente atingidos por indivíduos autistas. Nesta mesa apresentamos dados da produção de variabilidade em crianças autistas através de um procedimento de fading do grau de variabilidade exigido. Os dados analisados e discutidos têm implicações diretas para o desenvolvimento de estratégias de ensino, principalmente para populações com dificuldades de aprendizagem e restrição comportamental.
 
Autor(es) apresentação 1 :
Marcos  Yamada, Universidade de São Paulo
Maria Helena  Hunziker, Universidade de São Paulo
Resumo apresentação1 : Os mais diversos estudos e diferentes procedimentos têm demonstrado que a variabilidade comportamental pode ser controlada por suas conseqüências. O objetivo dessa apresentação é analisar, em estudos com animais e humanos, os graus de variabilidade produzidos por contingências que estabelecem diferentes exigências para reforçamento . Em todos os estudos, a unidade comportamental analisada foi a seqüência de 4 respostas emitidas em manipulanda que diferiam pela sua localização à direita (D) ou à esquerda (E) do sujeito (barras, para ratos, e teclas no computador, para humanos). Os dados obtidos mostram que: (1) o grau de variabilidade é uma dimensão do comportamento extremamente sensível a pequenas mudanças nos parâmetros da contingência que a reforça seletivamente, sendo tanto maior quanto mais ela for exigida diretamente; (2) há uma relação inversa entre grau de variabilidade diretamente reforçada e porcentagem de reforçamento; (3) esses resultados foram equivalentes para animais e humanos.
 
Autor(es) apresentação 2 :
Karine  Caldeira, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Tereza  Sério, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Resumo apresentação 2 : O trabalho de Page e Neuringer (1985) demonstrou que a variabilidade comportamental é uma dimensão do comportamento operante que pode ser diretamente reforçada (as respostas que possuem tal dimensão podem ser reforçadas) e, ainda, pode ficar sob controle de estímulos do ambiente. Dessa forma, essa propriedade do comportamento pode ser selecionada pelo reforçamento e a classe de respostas que possui essa dimensão pode aumentar de freqüência. Alguns estudos realizados com ratos (Neuringer, Deiss e Olson, 2000; e Grunow e Neuringer, 2002) demonstraram que para ocorrer a seleção de uma resposta com baixa probabilidade de ocorrência, o reforçamento direto da variabilidade pode ser uma alternativa importante. Um estudo próximo a esses foi realizado por Caldeira (2009) com humanos e demonstrou que a variabilidade aumenta a probabilidade de surgir a resposta esperada (variação) no repertório, mas que algumas contingências de reforçamento podem ser planejadas de forma a prejudicar a seleção dessa variação. Portanto, o reforçamento da variabilidade deve ser avaliado sob duas perspectivas em relação ao surgimento de uma resposta: 1) a variação necessária para fazer surgir a resposta no repertório, e 2) as contingências de reforçamento adequadas que selecionam essa variação, fazendo aumentar a probabilidade de emissão de tal resposta. Essa apresentação tem o objetivo de mostrar dados sobre a importância da variabilidade na seleção de respostas com baixa probabilidade de ocorrência e, ainda, os procedimentos de produção de variabilidade que foram mais eficazes para produzir a variação necessária para o surgimento de uma resposta com baixa probabilidade inicial de ocorrência e a seleção dessa variação em humanos. Essa análise é importante para implementar procedimentos eficazes em situações em que a aprendizagem é importante para aumentar e diversificar o repertório de indivíduos.
 
Autor(es) apresentação 3 :
Juliana  Godoi, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Nilza  Micheletto, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Resumo apresentação 3 : A variabilidade produzida por reforçamento direto do variar tem sido objeto de estudo da análise do comportamento. Nestes estudos (Goetz e Baer, 1973; Boucher, 1977; Manoel e Connolly, 1995; Miller e Neuringer, 2000; Hunziker e Lee, 2002; Holman, Goetz e Baer, 1977; Marçal, 2006; Page e Neuringer, 1985; Machado, 1989; Denney e Neuringer, 1998; Neuringer, Deiss e Olson, 2000; Grunow e Neuringer, 2002) a variabilidade comportamental é tida como dimensão do comportamento operante e manipulada enquanto variável dependente. Diferentes esquemas de reforçamento e diferentes delineamentos experimentais têm sido usados para produzir variabilidade em animais e humanos. A produção de variabilidade tem especial relevância na intervenção comportamental com crianças e adolescentes diagnosticadas como autistas, afinal esta população apresenta repertório comportamental restrito e comportamentos repetitivos (baixos índices de variabilidade). A ampliação do repertório comportamental gerada pelo reforçamento direto do variar pode contribuir para a seleção de comportamentos novos e mais adaptativos. A presente apresentação visa mostrar dados da produção de variabilidade comportamental em autistas usando um procedimento de fading dos índices de variabilidade exigidos, ou seja, começando com pouca exigência e, em cada nível, exigindo um índice maior de variabilidade. Este delineamento facilitou a aquisição de um repertório variável, evitando que os participantes entrassem em processo de extinção ou apresentassem efeitos colaterais deste, como: comportamentos agressivos e abandono da tarefa. Estes achados são importantes para o desenvolvimento de procedimentos de ensino que incluam o treino gradual (fading) do variar, produzindo, assim, uma base comportamental mais ampla e, consequentemente, facilitando a seleção de comportamentos adaptativos.

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