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Campinas, ,
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"Os principais problemas
enfrentados hoje pelo mundo só poderão ser resolvidos
se melhorarmos nossa
compreensão do comportamento humano" (Skinner, 1974, p.8)
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Programação XVIII Encontro ABPMC - 2009
Título da mesa: EFEITOS DE PRÁTICAS EDUCATIVAS PARENTAIS SOBRE PROBLEMAS DE COMPORTAMENTO EM CRIANÇAS, ADOLESCENTES E ADULTOS |
Coordenador: Ana Priscila Batista, Universidade Estadual do Centro-Oeste - UNICENTRO |
Resumo: As práticas educativas são definidas como estratégias específicas utilizadas pelos pais para orientar o comportamento dos filhos em diferentes contextos, sendo que estilo parental é definido como sendo o conjunto das práticas educativas parentais utilizadas. De acordo com estudos da área, cada prática educativa parental envolve contingências específicas que influenciam o repertório dos filhos, o que pode repercutir tanto no contexto imediato quanto no resto da vida. Alguns estudos são realizados no sentido de verificar variáveis que influenciam as práticas educativas utilizadas, outros buscam verificar como cada estilo parental pode contribuir para determinar o desenvolvimento e socialização de crianças e adolescentes, dentre outros. Isso pode ser realizado tanto no momento em que as práticas são empregadas em relação às crianças e adolescentes, quanto a posteriori, para verificar com adultos como se deu as atitudes de seus pais para educar, socializar e controlar o comportamento durante a infância e/ou adolescência. A presente mesa-redonda tem como objetivo apresentar e discutir três trabalhos que envolvem a área de práticas educativas parentais. O primeiro estudo buscou verificar o impacto de práticas educativas parentais sobre o desenvolvimento de transtornos psicológicos em adultos, sendo que a análise das práticas se deu na fase adulta, mas em relação às atitudes parentais na época da adolescência. O segundo trabalho buscou verificar as práticas educativas utilizadas por um pai alcoolista e o efeito sobre o comportamento agressivo da criança. Por fim, o terceiro estudo teve como objetivo analisar o efeito de práticas parentais na instalação e manutenção de comportamentos de risco em uma adolescente. De forma geral, os resultados dos trabalhos serão articulados em comparação com dados presentes na literatura sobre Práticas Educativas Parentais. Também será discutida a contribuição desse tipo de estudo para ampliação do conhecimento acerca da relação entre pais e filhos e possíveis efeitos sobre comportamentos problemáticos. |
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Autor(es) apresentação 1 :
Esther de Matos Ireno, Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora / Universidade Presidente Antônio Carlos
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Resumo apresentação1 : Segundo Skinner, o repertório comportamental de um indivíduo será determinado à partir da sua história filogenética, ontogenética e cultural. Neste sentido, vários estudos são conduzidos com o objetivo de relacionar um dos aspectos da ontogênese do indivíduo – a família, com o seu desenvolvimento. O enfoque nas práticas educativas parentais como fator de proteção contra o desenvolvimento de comportamentos antissocias e psicopatologias em crianças e adolescentes é uma das abordagens dentro desta linha de trabalho. Estas pesquisas vêm demonstrando que os Estilos Parentais Negativos dos pais estão diretamente relacionados com baixa auto-eficácia, baixa auto-estima, déficit de habilidades sociais, além da presença de psicopatologias tais como estresse, depressão, ansiedade e fobia social. Assim, os estudos que procuram avaliar o impacto das práticas educativas parentais no desenvolvimento do ser humano indicam a relação do estilo parental tanto com processos normativos do desenvolvimento quanto com a etiologia de aspectos psicopatológicos. Tentando confirmar esta correlação, aplicou-se o Inventário de Estilos Parentais (Gomide, 2006) em três clientes adultos (média de 27 anos), de ambos os sexos, com queixas variadas, tais como transtorno de pânico, depressão, fobia social e estresse. Pediu-se que estes clientes respondessem ao inventário avaliando as atitudes de seus pais em relação à educação deles no período da adolescência. Os dados encontrados mostraram uma predominância de Índice de Estilo Parental Negativo tanto das mães quanto dos pais. Este fator indica uma prevalência de práticas parentais negativas, sendo as mais significativas de punição inconsistente, negligencia e abuso físico. Realizando-se uma análise funcional dos comportamentos problema atuais de cada cliente, também se observa a possível contribuição de atitudes dos pais na instalação e manutenção dos mesmos. Portanto, estes resultados nos levam a pensar que um adulto com queixas de excesso ou déficit comportamental, ou ainda de algum dos denominados Transtornos Psicológicos, pode ter sido exposto a práticas parentais negativas na infância e/ou adolescência. Discute-se os limites dos resultados encontrados devido ao pequeno tamanho da amostra e ao fato de que as respostas ao IEP foram percepções e lembranças dos clientes em relação às interações com seus pais na adolescência. Apesar destas limitações, o trabalho aqui apresentado, confirma os dados encontrados na literatura sobre Práticas Parentais e demonstra a necessidade de trabalhos de prevenção, como programas para orientação de pais, a fim de diminuir atitudes parentais de risco e o conseqüente desenvolvimento de problemas de comportamentos nos filhos. |
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Autor(es) apresentação 2 :
Ana Priscila Batista, Universidade Estadual do Centro-Oeste - UNICENTRO
Felipe Rosa, Universidade Estadual do Centro-Oeste - UNICENTRO
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Resumo apresentação 2 : Sabe-se que diversas variáveis podem influenciar as práticas educativas parentais utilizadas e, conseqüentemente, o comportamento dos filhos, sendo o alcoolismo paterno uma delas. O presente trabalho buscou verificar as práticas educativas utilizadas por um pai alcoolista e o efeito sobre o comportamento agressivo da criança. Esse estudo foi realizado durante o atendimento do caso clínico de Carlos (nome fictício), 12 anos. A principal queixa era a de comportamento agressivo (brigas com colegas e professoras, comportamento opositor, xingamentos). Por meio do relato da mãe e do cliente, pode-se verificar que o pai fazia uso freqüente e abusivo do álcool e, quando chegava alcoolizado em casa, apresentava comportamentos agressivos verbais (xingamentos) e físicos (bater) em relação a eles. Foi aplicado o Inventário de Estilos Parentais Paterno (IEP-Paterno) ao menino, cujo objetivo era verificar as práticas educativas utilizadas por esse pai alcoolista e estabelecer uma relação com os comportamentos do cliente. Os resultados apontaram para um índice de estilo parental negativo: -19, situado num percentual de 1 a 25, interpretado como Estilo Parental de Risco, ou seja, há prevalência de práticas parentais negativas. As práticas educativas classificadas como sendo de risco foram: 1) monitoria positiva – controle por contingências positivas, o que se mostrou deficitário e, nesse caso, pode propiciar comportamentos anti-sociais; 2) punição inconsistente - controle inconsistente, não-contingente ao comportamento; 3) negligência - ausência de reforçamento, acompanhamento, o que pode acarretar aumento do comportamento anti-social, violência, engajamento em grupos desviantes; 4) abuso físico - controle por meio da punição física, podendo acarretar aumento de comportamento anti-social, violência; vandalismo; 5) disciplina relaxada – relaxamento das regras estabelecidas, o que pode acarretar em aumento de comportamento agressivo dos filhos, engajamento em grupos desviantes e filhos que não aprendem a respeitar regras e autoridade. As práticas com índice referente a estilo parental regular, porém abaixo da média foram: 1) comportamento moral – controle por contingências positivas (imitação e modelação), o que se mostrou deficitário e, nesse caso, também pode propiciar comportamentos anti-sociais; 2) monitoria negativa - controle por coerção, o que pode acarretar relação tensa/hostil entre pais e filhos, aumento do comportamento anti-social. Com base no conhecimento de alguns efeitos de cada uma das práticas educativas sobre o comportamento dos filhos, pode-se dizer que os resultados da aplicação do IEP–Paterno nesse caso parecem apontar para uma relação entre alcoolismo paterno, estilo parental de risco e, conseqüentemente, comportamento agressivo do filho. |
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Autor(es) apresentação 3 :
Emileane Costa Assis de Oliveira, UNIANCHIETA/UNIFEV/UNIP-SP
Marina Bettoni Menezes , UNIANCHIETA
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Resumo apresentação 3 : Pesquisas têm enfatizado a importância das práticas educativas parentais sobre o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Tais práticas podem desenvolver tanto comportamentos prósociais quanto anti-sociais, dependendo da freqüência e intensidade com que os pais as utilizam. O resultado do uso desse conjunto de práticas educativas é denominado de estilo parental. As práticas educativas que podem levar ao desenvolvimento de comportamentos anti-sociais são chamadas de práticas educativas negativas, sendo 6 as mais encontradas na literatura: negligência, abuso físico e psicológico, disciplina relaxada, punição inconsistente e monitoria estressante. Quanto às práticas educativas positivas destacam-se a monitoria positiva e o comportamento moral. O objetivo do presente trabalho foi realizar a análise funcional do caso Ana, identificando as práticas educativas parentais que operaram em sua história de vida assim como analisar o impacto de tais práticas sobre os comportamentos problema apresentados pela adolescente. Ana, 17 anos, estudante de classe média, foi encaminhada à terapia pela mãe com a queixa de ser “teimosa”; “orgulhosa” e “arrogante”. Segundo a mãe, estes problemas agravaram-se depois que “fotos pornográficas” da filha tornaram-se públicas através da internet. As queixas trazidas pela cliente apontavam uma relação conflituosa com os pais (separados desde que Ana tinha 3 anos); sentimentos de culpa com relação aos pais e confusões quanto à sua orientação profissional e sexual. Ana comportava-se impulsivamente, ou seja, sob controle de reforços positivos a curto prazo a despeito da possível ocorrência de estímulos aversivos a médio e longo prazo (sentimentos de pouca responsabilidade). Apresentava alta emissão de comportamentos de risco como uso de drogas e sexo promíscuo e descrição pobre acerca das contingências às quais respondia (autoconhecimento deficitário). O estilo parental adotado pelo pai envolvia punição inconsistente e monitoria negativa: broncas e cobranças excessivas por alto desempenho acadêmico e constantes ameaças de perdas de SR+ caso a filha não atingisse os padrões definidos por ele. No entanto, geralmente não cumpria as ameaças e frequentemente punia de modo não-contingente outros comportamentos da filha (usar determinadas roupas; sair com amigos; escolha da profissão etc). O padrão coercitivo mantido pelo pai gerava contracontrole; sentimentos de culpa e exercia pouco controle sobre o comportamento de Ana que não seguia as regras por discriminar a baixa probabilidade de ocorrência das consequências aversivas verbalmente descritas pelo pai. A mãe mantinha um estilo parental negligente, utilizando práticas como a disciplina relaxada e ausência de monitoria positiva e comportamento moral, contribuindo, assim, para o desenvolvimento de sentimentos de baixa auto-estima e pouca responsabilidade. Analisou-se que, em conjunto, as práticas parentais vigentes na história de contingências da adolescente Ana contribuíram para o desenvolvimento, em especial, de um repertório comportamental deficitário de descrição verbal das contingências que controlavam seu comportamento (repertório de seguimento de regras), o qual, por sua vez, favorecerá o desenvolvimento de sentimentos de pouca responsabilidade e autoconhecimento. |
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