Resumo apresentação 2: As possibilidades de relacionamento entre estímulos e de geração de relacionamentos não diretamente treinados têm favorecido o emprego do paradigma de equivalência de estímulos para investigação das relações simbólicas envolvidas na aquisição de significado por eventos do mundo. Recentemente, estudos têm se concentrado no uso deste mesmo paradigma para compreensão dos processos envolvidos, particularmente, na formação de atitudes sociais, ou seja, na investigação de como membros pertencentes a grupos sociais específicos adquirem significado para os indivíduos, a despeito da experiência direta com esses mesmos membros.
Dando continuidade a esta linha de pesquisa, foi desenvolvido estudo com duas crianças alfabetizadas, objetivando reversão de classe de equivalência entre negros e símbolos negativos.
Empregando procedimento de matching to sample, foram conduzidos dois testes iniciais (das relações de C-A e A-C entre negros e símbolos positivos/negativos e entre símbolos positivos/negativos e negros, respectivamente) nos quais se buscou avaliar o relacionamento que os participantes faziam entre imagens de negros e os referidos símbolos. Comparativamente aos dados de testes semelhantes realizados com fotos de brancos, foram selecionados participantes que tendiam a relacionar mais negros com símbolos negativos (em ocorrência maior que a do acaso). Em seguida foi feito treino em tentativas de discriminação condicional no qual foram ensinadas diretamente as relações A-B (entre símbolo positivo e figura abstrata) e B-C (entre figura abstrata e negro). Finalmente, foram realizados pós-testes para verificar o efeito do treino sobre a emergência de relação entre negros e símbolos positivos – relação esta sugestiva de reversão da classe inicial.
A despeito da literatura em equivalência de estímulos que indica a efetividade deste tipo de treino e dos parâmetros empregados para formar classes de equivalência, mas corroborando dados de estudos em reversão de classes pré-experimentais, os dados sugeriram resistência à reversão da classe entre negros e símbolos negativos, isto é, não se obteve formação de classe entre negros e símbolos positivos. Além disso, foi encontrada também evidência de controle contextual: nos testes C-A (em que uma imagem de negro era o estímulo modelo e um símbolo positivo e outro negativo eram comparações), negros foram menos relacionados com símbolos negativos do que nos testes A-C (em que um símbolo era apresentado como modelo e uma imagem de negro e outra de branco eram apresentados como comparação).
Ao que parece, estes dados permitem afirmar que o responder em situação natural foi generalizado para a situação experimental, não estando sob controle das contingências de reforçamento ali arranjadas.
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