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"Os principais problemas enfrentados hoje pelo mundo só poderão ser resolvidos

 se melhorarmos nossa compreensão do comportamento humano" (Skinner, 1974, p.8)

 

 

Programação XVIII Encontro ABPMC - 2009

SIMPÓSIO

Título do Simpósio: Investigações da indução de significado entre estímulos equivalentes em situação experimental e na mudança de atitudes sociais
Coordenador: Julio Cesar  de Rose, Universidade Federal de São Carlos
Debatedor:   ,
Apresentação 1: Demonstrações da emergência de relações semânticas entre estímulos equivalentes
Autor(es) apresentação 1:
Renato  Bortoloti, Universidade Federal de São Carlos
Julio Cesar  de Rose, Universidade Federal de São Carlos
Resumo apresentação 1: O modelo de equivalência de estímulos definiu comportamentos simbólicos com base em critérios operacionais que permitiram simular experimentalmente o uso de símbolos. Este trabalho apresenta uma revisão de estudos que mostraram a emergência de relações semânticas entre estímulos equivalentes por meio de métodos externos ao modelo. Particularmente, são destacadas investigações que combinaram procedimentos do modelo de equivalência com um instrumento de diferencial semântico, com tentativas de decisão léxica, com testes de associação implícita e com medidas eletrofisiológicas da atividade cerebral. Em todos esses estudos, verificou-se a ocorrência de indução de significados entre estímulos equivalentes. Além de promoverem uma validação externa do modelo, algumas das metodologias citadas têm permitido inferir diferentes níveis de relacionamento entre estímulos em classes de equivalência formadas com a utilização de parâmetros experimentais distintos. Por exemplo, pesquisadores do Laboratório de Estudos do Comportamento Humano da Universidade Federal de São Carlos observaram que a indução de significado entre estímulos equivalentes ocorre com mais intensidade quando o participante é ensinado a selecionar estímulos de comparação depois da remoção do estímulo modelo (procedimento conhecido como matching atrasado) e que é menos intensa quando se aumenta o número de estímulos mediadores das relações estabelecidas. Esses e outros resultados relacionados fortalecem a suposição de que é possível conhecer e manipular os procedimentos que tornarão o participante mais ou menos “fluente” nas classes de equivalência que ele conseguir estabelecer.
Apresentação 2: Reversão de equivalência de estímulos e mudança de significado de estímulos socialmente carregados
Autor(es) apresentação 2:
Marilia Pinheiro  de Carvalho, Universidade Federal de São Carlos
Julio Cesar  de Rose, Unversidade Federal de São Carlos
Resumo apresentação 2: As possibilidades de relacionamento entre estímulos e de geração de relacionamentos não diretamente treinados têm favorecido o emprego do paradigma de equivalência de estímulos para investigação das relações simbólicas envolvidas na aquisição de significado por eventos do mundo. Recentemente, estudos têm se concentrado no uso deste mesmo paradigma para compreensão dos processos envolvidos, particularmente, na formação de atitudes sociais, ou seja, na investigação de como membros pertencentes a grupos sociais específicos adquirem significado para os indivíduos, a despeito da experiência direta com esses mesmos membros. Dando continuidade a esta linha de pesquisa, foi desenvolvido estudo com duas crianças alfabetizadas, objetivando reversão de classe de equivalência entre negros e símbolos negativos. Empregando procedimento de matching to sample, foram conduzidos dois testes iniciais (das relações de C-A e A-C entre negros e símbolos positivos/negativos e entre símbolos positivos/negativos e negros, respectivamente) nos quais se buscou avaliar o relacionamento que os participantes faziam entre imagens de negros e os referidos símbolos. Comparativamente aos dados de testes semelhantes realizados com fotos de brancos, foram selecionados participantes que tendiam a relacionar mais negros com símbolos negativos (em ocorrência maior que a do acaso). Em seguida foi feito treino em tentativas de discriminação condicional no qual foram ensinadas diretamente as relações A-B (entre símbolo positivo e figura abstrata) e B-C (entre figura abstrata e negro). Finalmente, foram realizados pós-testes para verificar o efeito do treino sobre a emergência de relação entre negros e símbolos positivos – relação esta sugestiva de reversão da classe inicial. A despeito da literatura em equivalência de estímulos que indica a efetividade deste tipo de treino e dos parâmetros empregados para formar classes de equivalência, mas corroborando dados de estudos em reversão de classes pré-experimentais, os dados sugeriram resistência à reversão da classe entre negros e símbolos negativos, isto é, não se obteve formação de classe entre negros e símbolos positivos. Além disso, foi encontrada também evidência de controle contextual: nos testes C-A (em que uma imagem de negro era o estímulo modelo e um símbolo positivo e outro negativo eram comparações), negros foram menos relacionados com símbolos negativos do que nos testes A-C (em que um símbolo era apresentado como modelo e uma imagem de negro e outra de branco eram apresentados como comparação). Ao que parece, estes dados permitem afirmar que o responder em situação natural foi generalizado para a situação experimental, não estando sob controle das contingências de reforçamento ali arranjadas.

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