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"Os principais problemas enfrentados hoje pelo mundo só poderão ser resolvidos

 se melhorarmos nossa compreensão do comportamento humano" (Skinner, 1974, p.8)

 

 

Programação XVIII Encontro ABPMC - 2009

MESA REDONDA

Título da mesa: SELEÇÃO PELAS CONSEQÜÊNCIAS E O PAPEL DO AMBIENTE NO BEHAVIORISMO RADICAL: COMPORTAMENTO SUPERSTICIOSO, HISTÓRIA COMPORTAMENTAL E PRÁTICAS CULTURAIS
Coordenador: Marcelo  Benvenuti, Universidade de Brasília
Resumo: Seleção pelas conseqüências é o modo pelo qual o Behaviorismo Radical entende a determinação do comportamento. Modelos selecionistas são recentes na história do pensamento ocidental e suas implicações para a Análise do Comportamento ainda não são totalmente claras. Entre as questões debatidas em modelos selecionistas, estão: a) o papel dos processos básicos de variação, seleção e retenção; b) o papel da complexidade (que depende de seleções do passado) na determinação do comportamento futuro, sob novas contingências de seleção; c) a caracterização da seleção como “cega” e a noção de adaptação. Os membros da mesa pretendem discutir essas questões com base tanto na lógica conceitual do modelo de seleção pelas conseqüências quanto com base em algumas discussões presentes nas seguintes áreas de investigação da Análise do Comportamento: a) comportamento supersticioso – seleção do responder com contigüidade com reforçadores positivos ou negativos; b) história comportamental - seleção do responder por variáveis passadas e presentes; c) práticas culturais – seleção de práticas que envolvem o comportamento de mais de um indivíduo.
 
Autor(es) apresentação 1 :
Marcelo  Benvenuti, Universidade de Brasília
Marcus Bentes  Carvalho Neto, Universidade Federal do Pará
Resumo apresentação1 : A caracterização de comportamento operante - principal instrumento conceitual do analista do comportamento – tem sido inconsistente: algumas definições de operante enfatizam a necessidade de contingência entre resposta e reforço; outras destacam apenas o papel do fortalecimento do responder por eventos subseqüentes. Esta apresentação discute a noção de seleção pelas conseqüências a partir do exame dos efeitos de contigüidade entre respostas e reforçadores positivos, negativos e punição. A noção de comportamento supersticioso evidencia a possibilidade de seleção do comportamento por eventos que são apenas contíguos a respostas, tanto quando os eventos contíguos são reforçadores positivos, como quando são reforçadores negativos ou punição. Contudo, há diferenças importantes na seleção do responder por contigüidade e por contingência, entre as quais se destaca a manutenção do responder ao longo da exposição às mesmas condições que fortaleceram o responder. A possibilidade de seleção do comportamento por contigüidade de respostas com eventos ambientais, mesmo que mais evidente na aquisição, contribui para uma definição da noção de comportamento operante em que seja enfatizado o papel do ambiente de selecionar o comportamento. O papel da contingência, por outro lado, aparece como fundamental para a construção de repertórios complexos a partir da seleção inicial exercida pelo ambiente.
 
Autor(es) apresentação 2 :
Carlos Eduardo  Costa, Universidade Estadual de Londrina
Paulo  Soares , Faculdades Pitágoras – Campus Metropolitana
Resumo apresentação 2 : A Análise do Comportamento é uma ciência histórica. Todavia, os estudos experimentais têm enfatizado mais os efeitos das contingências presentes do que os efeitos da história sobre o comportamento. Será descrito, a título de exemplo, um estudo no qual o padrão comportamental presente não pode ser adequadamente explicado sem referências à história comportamental do organismo. A partir da descrição desse estudo pretende-se conduzir uma discussão que aponta para o fato de que, embora o arranjo das contingências de reforço feitas pelo experimentador possa ser uma (um programa de reforço em FI, por exemplo), o padrão comportamental reforçado pode ser o de responder em altas taxas (como seria esperado em um programa de reforço em FR), porque a contingência de FI continua a reforçar um padrão comportamental de responder em altas taxas (eventualmente selecionado na história do organismo). Uma discussão nesse sentido sugere que analisar o comportamento olhando para o arranjo experimental em sua forma (i.e., qual a contingência de reforço foi programada pelo experimentador) pode levar a equívocos se não se levar em conta exatamente qual o padrão comportamental "está presente" (foi selecionado na história) quando o reforçador é liberado. Entretanto, apesar da importância da história comportamental na explicação do comportamento, as contingências presentes continuam a afetar o comportamento do organismo. Serão apresentados resultados de pesquisa, também a título de ilustração, que indicam que a persistência comportamental (i.e, a manutenção de um padrão comportamental selecionado pela história quando as contingências de reforço são alteradas) depende da contingência atual. Ou seja, as contingências presentes podem selecionar outro padrão comportamental dependendo do modo como elas são arranjadas e o comportamento selecionado na história persiste enquanto as contingências presentes ainda reforçam o padrão comportamental selecionado. Tomados em conjunto, os resultados de pesquisas que serão apresentados sugerem que, se por um lado, o modo como o ambiente presente selecionará um comportamento depende do comportamento que o organismo traz para o experimento (i.e., depende da história filo e ontogenética), por outro lado, a manutenção do padrão comportamental que o organismo traz para o experimento depende fortemente da contingência presente não punir tal padrão comportamental.
 
Autor(es) apresentação 3 :
Alexandre  Dittrich, Universidade Federal do Paraná
Resumo apresentação 3 : Uma compreensão adequada dos processos seletivos atuantes nos três níveis propostos pela análise do comportamento é vital para que o modelo de seleção por conseqüências mostre-se viável e útil. Parece haver alguma confusão entre dois processos seletivos que ocorrem em níveis diferentes (ontogenético e cultural), mas que são, genericamente, referidos como culturais. Um primeiro processo diz respeito ao fato de que os membros de uma cultura “culturalizam” seus membros – isto é, selecionam em seus repertórios certos tipos de operantes característicos daquela cultura. Embora isso seja vital para a transmissão entre gerações de práticas culturais, não há aqui nenhum processo seletivo novo, para além da seleção em nível operante (ontogenético). Por outro lado, Skinner aponta para um fato comum na história das culturas: algumas delas sobrevivem e outras perecem – e o fazem enquanto conjuntos de práticas culturais. Buscaremos examinar em que medida, nesse sentido, é possível falar em seleção de práticas culturais individuais, traçando paralelos com a seleção filogenética. Apontaremos ainda as diferenças entre a concepção de seleção cultural apresentada por Skinner e o conceito de metacontingências, que aponta explicitamente para a possibilidade de seleção de práticas culturais individuais.

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