Resumo: O câncer de mama é o tumor mais freqüente em mulheres, com altos índices de morbi-mortalidade no Brasil. Atualmente, existem várias formas eficazes de tratamento, que reduzem de forma significativa os índices de mortalidade pela doença. O diagnóstico e o tratamento do câncer de mama, entretanto, são considerados importantes estressores e aumentam a vulnerabilidade destas mulheres para outros problemas, como depressão, fadiga, ansiedade, distúrbios cognitivos, baixa auto-estima e problemas de sono. O objetivo do presente estudo foi traçar um perfil de pacientes com diagnóstico de câncer de mama (estágio I ou II) após o término do tratamento (cirurgia, radioterapia, quimioterapia). Método: Quarenta e três mulheres em pós-tratamento de câncer de mama participaram do estudo. Para a coleta de dados foi utilizado um questionário para obter informações demográficas (idade, status socioeconômico) e relativas à doença e seu tratamento (situação e estágio da enfermidade, medicação, terapias, inclusive terapia oncológica atual e medicação para cuidados paliativos). Resultados: A idade das participantes variou entre 26 e 77 anos (média=57; dp=11,86); 23 (53%) tinham ensino superior completo e 7 (16%) fundamental incompleto. A maioria era casada (n=24;56%), aposentada (n=16;37%) ou empregada (n=13;30%); 49% (n=21) faziam tratamento hormonal; 98% (n=42) consumiam bebidas com cafeína e 23% (n=10) utilizavam medicamentos para dormir. Uma das participantes alegou fumar e utilizava medicação para dormir; 10 (23%) utilizavam remédio para dormir e consumiam bebidas com cafeína e 3 (7%) tomavam medicação para dormir e consumiam bebidas alcoólicas. Todas as mulheres que relataram tomar remédio para dormir consumiam cafeína. Discussão e conclusão: A maioria das mulheres encontrava-se na faixa etária entre 40 e 60 anos, não fazia uso de álcool ou de tabaco e possuía união estável. Uma possível explicação para que a maioria das participantes não apresentasse comportamentos de risco para a saúde (ex. fumar, ingerir álcool) pode estar associado ao fato de terem passado por uma experiência traumática (tratamento prévio de câncer) e terem recebido orientações para adotar um padrão comportamental mais saudável. Os dados obtidos permitem identificar parte das características destas pacientes, bem como os comportamentos que podem ter um impacto positivo ou negativo sobre o bem estar e o curso da doença. Estes dados podem subsidiar o delineamento de intervenções, baseadas na análise do comportamento, que auxiliem a modificar comportamentos que podem ser prejudiciais à sua saúde e qualidade de vida. Exemplos de intervenção incluem programas para modificar o comportamento de fumar, de consumir bebidas alcoólicas e desenvolver estratégias para melhorar a qualidade do sono e enfrentar de forma mais adequada o estresse associado à doença e seu tratamento. |