Resumo: Este trabalho objetiva apresentar um estudo de caso clínico, nos moldes da Terapia por Contingências de Reforçamento. A cliente, A. (47) anos, divorciada e mãe de uma filha (22), apresentava dificuldades em lidar com o ex-marido alcoólatra e mostrava-se pouco afetiva e insensível às necessidades da filha, além de relatar dificuldades na interação familiar (permeada por comportamentos de abandono e agressividade). Sua história de contingências evidenciou que, ao longo da vida, ela não precisou emitir, de forma sistemática, comportamentos que produzissem reforçadores positivos ou removessem estímulos aversivos; entretanto, ela entrava em contato com tais conseqüências (reforçadoras e aversivas) advindas de outras fontes, exceto por seu próprio comportamento. Tal história a levou a um padrão de vitimizar-se e ser pouco sensível ao outro, e a um responder com função principalmente de reforçamento negativo. Eram evidentes suas dificuldades em relação a: tornar-se independe (afetivamente de seu ex-marido e financeiramente de sua família); em estabelecer e manter vínculos afetivos, mostrando-se pouco sensível ao outro e,muitas vezes, punitiva; engajar-se em possíveis fontes de reforçadores positivos, como o trabalho; emitir respostas cujo reforço viesse a médio e longo prazos, mostrando uma baixa tolerância à frustração. A intervenção terapêutica procurou levar a cliente a: identificar e descrever seus sentimentos de acordo com as contingências em operação e tornar-se sensível aos sentimentos dos outros; desenvolver repertório comportamental para buscar situações que oferecessem maiores reforçadores positivos, incompatíveis com o padrão de dependência do ex-marido e da família; tornar-se mais sensível às conseqüências de seus próprios comportamentos; desenvolver repertório de fuga-esquiva adequado. Utilizou-se, ao longo do processo terapêutico, as seguintes técnicas: reforçamento positivo de comportamentos adequados; reforçamento diferencial de comportamentos incompatíveis com os inadequados em seu repertório; descrição de contingências em operação; descrição de auto-regras da cliente, incompatíveis com a contingência em operação; apresentação de modelos de respostas adequadas para agir em situações de interação social e engajamento profissional; modelagem e instrução, para instalar repertório mais eficiente para produzir estímulos reforçadores positivos. Foram analisados, de acordo com o relato verbal da cliente e observações da terapeuta durante as sessões, os resultados obtidos ao longo da psicoterapia. Ao final, discutiu-se como o engajamento da cliente no processo terapêutico, as dificuldades devidas à sua história de vida e a eficácia dos procedimentos utilizados como fatores que influenciaram a eficácia do atendimento psicoterápico. |