Resumo: Desde o momento de nossa concepção até o da nossa morte, a dor nos acompanha e traz crescimento e amadurecimento para o ser humano. Porém, a perda de uma pessoa com a qual se tem um íntimo vínculo afetivo é tida como sendo uma (senão a maior) das experiências dolorosas em nossas vidas. Tanto que pesquisas revelam que as perdas, quando se trata de alguém de apego, trazem uma mudança no ambiente extremamente alarmante, pois a sobrevivência daquele(s) que fica(m) pode estar em risco. O luto é, por seu lado, uma reação à perda. Logo, pode-se conceber as reações do luto com um conjunto de respostas do organismo com relação às mudanças acarretadas por ela. Assinala-se que concomitante a estas respostas surgem sentimentos e emoções intensificados (desamparo, anseios, tristeza profunda, choros copiosos, expectativas, frustração). Na verdade, esse sofrimento é uma aquisição evolutiva e sinaliza a existência de condições inadequadas para sobrevivência; ou seja, é experienciado como um conteúdo extremamente aversivo (Hoshino, 2006). Dessa forma, a análise das conseqüências dos comportamentos de luto sinaliza, entre outros aspectos, que o caráter aversivo do pesar, dependendo da intensidade do apego da pessoa que ficou em relação ao ente querido pode desencadear comportamento bastante significativo de esquiva emocional. Assim, aceitação e adaptação à nova vida a partir de novos processos de aprendizagens às mudanças serão mais lentos, comprometendo basicamente a emissão de operantes para outros eventos de vida, notadamente àqueles relacionados ao apego e/ou ao vínculo acrescentando, assim, mais dor ainda à pessoa enlutada. Pretende-se através da exposição de um caso clínico, demonstrar aspectos do luto dando ênfase ao papel da esquiva emocional, na implementação terapêutica realizada no sentido de enfraquecê-la. |