Resumo: O expressivo aumento da população idosa, os avanços medicinais e tecnológicos, o maior acesso dessa faixa etária a serviços de saúde e mudanças sociais têm trazido foco para a população idosa. Um aspecto importante a ser considerado é a qualidade de vida dessa população, na qual se insere o estudo da socialização e das habilidades sociais. Especificamente para idosos, dada a falta de um instrumento validado no país e de referência normativa dessa população em termos de identificar comportamentos sociais, vem sendo desenvolvida a Escala de Habilidades Sociais para Idosos (EHSI-Del-Prette) bem como estudos que avaliem diferenças dentro dessa população. Nesse sentido, o presente estudo teve como objetivo analisar o repertório social de idosos usando a Escala de Habilidades Sociais de Idosos (EHSI–Del-Prette), uma versão do Inventário de Habilidades Sociais (IHS-Del-Prette) para a população acima de 60 anos visando estabelecer possíveis diferenças entre as habilidades sociais de idosos do sexo masculino e feminino. O instrumento em questão contém 38 itens que avaliam a freqüência com que os idosos emitem comportamentos socialmente habilidosos por meio de uma escala Likert de cinco níveis de resposta, variando de Nunca/Raramente até Sempre/Quase Sempre. Participaram desse levantamento 52 idosos retirados de um banco de dados, sendo 26 homens e 26 mulheres pareados de acordo com a idade. Essa amostra possui idosos com idade variando de 61 a 86 anos provenientes de cinco cidades da região Sudeste do país. As informações coletadas foram analisadas por meio de estatística descritiva e inferencial e comparadas com os dados normativos para os escores fatoriais e o escore geral, em percentis obtidos nas amostras masculina e feminina do IHS-Del-Prette. Os resultados apontam que não houve diferença significativa entre mulheres e homens da terceira idade para o escore geral e para todos os fatores. Apenas no item número 12 (se estou interessado(a) em uma pessoa para relacionamento sexual, consigo abordá-la para iniciar conversação) houve diferença significativa (t = 0,273 e p = 0,045), apontando que os homens têm em média mais habilidades nesse sentido. Discute-se a diferença encontrada no sentido de que esse comportamento filogeneticamente selecionado não deixa de ter uma função para a ontogênese e a cultura. Os homens idosos relatam que emitem o comportamento de abordar uma pessoa para relacionamento sexual, sendo provavelmente reforçados por isso, já as mulheres idosas não relatam esse comportamento possivelmente por serem punidas ao fazê-lo. |