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"Os principais problemas enfrentados hoje pelo mundo só poderão ser resolvidos

 se melhorarmos nossa compreensão do comportamento humano" (Skinner, 1974, p.8)

 

 

Programação XVIII Encontro ABPMC - 2009

MESA REDONDA

Título da mesa: ESTILOS INSEGUROS DE VINCULAÇÃO E DEFICIÊNCIAS EM HABILIDADES SOCIAIS COMO FATORES DE VULNERABILIDADE PARA PROBLEMAS PSICOSOCIAIS
Coordenador: Eliane Mary de Oliveira  Falcone , Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Resumo: O homem é um ser gregário e faz parte de sua essência ser capaz de se relacionar. De acordo com a perspectiva evolucionista, os animais são biologicamente preparados para compreender e transmitir sinais sociais, sendo essas capacidades fundamentais para a sobrevivência. Na espécie humana essa preparação biológica se refina a partir da relação com as figuras parentais e posteriormente com os pares e professores, na escola, contribuindo para o desenvolvimento social e intelectual do indivíduo. Assim, o meio social constitui o ambiente que irá facilitar ou não o desenvolvimento de habilidades interpessoais efetivas. A capacidade para perceber, entender, decifrar e responder às demandas interpessoais, de modo a favorecer a obtenção de ganhos pessoais (através de um padrão de comportamento assertivo) e, ao mesmo tempo, de maior vínculo e satisfação nas relações com os outros (através de atitudes empáticas) tem sido referida como habilidades sociais. Indivíduos socialmente habilidosos desenvolvem e mantém interações satisfatórias com os outros, o que contribui fortemente para os seus sentimentos de realização pessoal, afetiva e profissional, além de saúde física e mental. Por outro lado, deficiências nessas habilidades estão associadas a muitos problemas interpessoais, bem como a comprometimentos para a saúde e transtornos psicológicos. Alguns estudos propõem que estilos seguros de apego são precursores do desenvolvimento de habilidades sociais. Do mesmo modo, indivíduos com estilos inseguros de apego apresentam deficiências na capacidade para entender os sinais sociais transmitidos pelos outros, bem como na expressão adequada dos próprios sinais. Tais constatações sugerem que problemas nas relações de apego em fase precoce da vida podem predizer o desenvolvimento de habilidades sociais deficitárias, contribuindo para a construção de esquemas interpessoais desadaptativos e consequente prejuízo das relações sociais e interpessoais. Pretende-se apresentar, nesta mesa-redonda, dados teóricos e empíricos que fundamentam as relações entre estilos de apego, habilidades sociais e transtornos psicológicos. O primeiro trabalho propõe que os estilos inseguros de vinculação e ausência de empatia são preditivos de experiência de raiva mais intensa, frequente e disfuncional, presentes em muitos transtornos psicológicos. Estilos inseguros de apego e deficiências em habilidades sociais, especialmente na expressão assertiva, serão apontados no segundo trabalho como fatores de vulnerabilidade à depressão. Finalmente, o terceiro trabalho irá relacionar estilos inseguros de apego e habilidades sociais deficitárias como fatores de vulnerabilidade para transtornos alimentares.
 
Autor(es) apresentação 1 :
Eliane Mary de Oliveira   Falcone , Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Vera Silvia Haad   Bussab, Universidade de São Paulo
Maria Cristina   Ferreira , Universidade Salgado de Oliveira
Resumo apresentação1 : O IMPACTO DA EMPATIA E DOS ESTILOS SEGUROS DE APEGO SOBRE A RAIVA DISFUNCIONAL A necessidade de apego e as experiências de empatia e de raiva são programadas biologicamente e possuem função de sobrevivência. Além disso, estas também sofrem a influência dos fatores desenvolvimentais e das experiências de vida, influenciando a qualidade das relações, assim como a saúde física e mental das pessoas. Relações de apego se estabelecem cedo na vida da maioria das espécies. Nos seres humanos elas contribuem para a formação de modelos internos de funcionamento interpessoal e são fundamentais para o desenvolvimento social, emocional e intelectual, produzindo estilos seguros de vinculação na vida adulta. A capacidade para reconhecer as emoções, componente fundamental da experiência da empatia, também é identificada na maioria das espécies. Nos seres humanos esta capacidade é mais complexa e envolve processos cognitivos sofisticados tais como a tomada de perspectiva, a auto-regulação, a autoconsciência e a consciência dos outros. A raiva constitui uma emoção primária que evoluiu para aumentar a sobrevivência das espécies, através da autodefesa e da regulação de comportamentos sociais. Entretanto, quando experimentada com muita freqüência e manifestada de forma culturalmente inaceitável, é considerada disfuncional por produzir conseqüências nocivas àquele que a manifesta e a terceiros. Revisões teóricas e empíricas sugerem que estilos de apego seguros promovem na criança o desenvolvimento de capacidades para reconhecimento e compartilhamento das emoções, assim como para a auto-regulação, a autoconsciência e a consciência do outro. Assim, o apego seguro é apontado como um precursor precoce da empatia, a qual, por sua vez, funciona como um elemento facilitador do vínculo afetivo. Por outro lado, estilos inseguros de vinculação, assim como deficiências em empatia, têm sido relacionados à raiva disfuncional, expressa por freqüência elevada de reações hostis, explosões de raiva, ruminações etc. O presente trabalho pretende apresentar uma revisão teórica das relações entre os estilos de vinculação, a empatia e a raiva, assim como uma análise dos resultados de estudos que avaliaram essa relação, utilizando diferentes metodologias. Os principais resultados apontam: 1) o poder preditivo da empatia e dos estilos seguros de apego sobre a raiva; 2) maior participação dos componentes cognitivos da empatia do que dos componentes afetivos na moderação da raiva; 3) níveis elevados de altruísmo parecem predizer maiores níveis de raiva disfuncional. Espera-se que esses achados possam contribuir para a realização de programas de desenvolvimento de habilidades empáticas, como recurso facilitador da qualidade das relações interpessoais e do manejo da raiva disfuncional.
 
Autor(es) apresentação 2 :
Conceição Santos   Fernandes,
Eliane Mary de O.   Falcone, Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Resumo apresentação 2 : DISCUSSÃO SOBRE RELAÇÕES ENTRE HABILIDADES SOCIAIS, DEPRESSÃO E ESTILOS DE APEGO A depressão apresenta uma etiologia multifatorial que inclui deficiências em habilidades de interação pessoal e fatores de predisposição cognitivos, adquiridos ou herdados. O presente trabalho pretende apresentar dados teóricos e empíricos sobre as relações existentes entre estilos de apego, habilidades sociais e depressão. A literatura aponta que um repertório deficitário em habilidades sociais pode constituir um fator de vulnerabilidade para esse transtorno. Estudos prévios mostraram relação significativa entre deficiências em habilidades sociais (assertividade) e depressão, sugerindo ainda a relevância de estressores interpessoais para o desencadeamento do transtorno. Pesquisas recentes também mostram uma relação entre estilos de apego inseguro, depressão e fatores de vulnerabilidade para o quadro. Teorias sobre apego afirmam que crianças que sofrem rejeição ou abandono tendem a representar um modelo de si mesmas como de uma pessoa indigna de ser amada. Tal representação está também associada a deficiências em habilidades interpessoais. Estudos revelam que a expressão e a compreensão de emoções de crianças em idade pré-escolar, estariam associadas às relações estabelecidas com as figuras de vinculação. Além disso, a representação mental de uma relação de apego segura favorece o desenvolvimento de características pessoais importantes, tais como a empatia, a auto-estima e a competência social. Os pressupostos enunciados por Bowlby e Ainsworth, assim como uma variedade de resultados de estudos indicam que a qualidade do apego interfere no desenvolvimento cognitivo, emocional e social, afetando a compreensão do estado interno do outro e a expressão das próprias necessidades. Tais constatações sugerem que experiências negativas com as figuras de apego geram um estilo de apego inseguro e podem contribuir para a formação de esquemas interpessoais desadaptativos, os quais, por sua vez, promovem um desenvolvimento inadequado de cognições e de comportamentos sociais. Assim, os estilos inseguros de apego e conseqüentes deficiências em habilidades sociais constituem fatores de vulnerabilidade para depressão. Uma discussão sobre essas relações constitui uma importante contribuição para a promoção de programas de desenvolvimento de habilidades parentais, visando a formação de estilos seguros de apego, bem como o desenvolvimento de habilidades sociais, favorecendo a prevenção da depressão.
 
Autor(es) apresentação 3 :
Juliana   D’Augustin, PPGPS-UERJ
Eliane   Falcone , PPGPS- UERJ
Mônica   Duchesne, GOTA-IEDE/IPUB
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Resumo apresentação 3 : AS RELAÇÕES ENTRE HABILIDADES SOCIAIS E ESTILOS DE APEGO INSEGURO EM INDIVÍDUOS COM TRANSTORNOS ALIMENTARES Os Transtornos Alimentares (TA) são caracterizados por graves perturbações no comportamento alimentar. Entre eles, incluímos a anorexia nervosa, a bulimia nervosa e o transtorno da compulsão alimentar periódica. Sua etiologia é multifatorial, estando envolvidos no seu desenvolvimento aspectos biológicos, psicológicos, familiares e sociais. Além das complicações clínicas associadas ao transtorno, encontramos também graves dificuldades interpessoais. Esses déficits contribuem para ocorrência de baixa auto-estima, ansiedade, depressão, retraimento social, e insegurança, dificultando também o desenvolvimento de relações afetivas satisfatórias O desenvolvimento de um repertório adequado de habilidades sociais sofre influência direta do ambiente e das relações sociais que o indivíduo tem ao logo da vida, sendo a família o seu primeiro grupo social. Nela ocorrem os primeiros intercâmbios de conduta social e afetiva, valores e crenças que vão influenciar de maneira decisiva o comportamento social dessa pessoa. A literatura mostra que as famílias desses pacientes são bastante disfuncionais, não propiciando um adequado desenvolvimento cognitivo e emocional do indivíduo e contribuindo para a formação de crenças disfuncionais em relação a si e aos outros. Segundo a teoria do apego, as primeiras relações de apego, estabelecidas na infância, afetam o estilo de vinculação do indivíduo ao longo de sua vida. O papel do vínculo na vida dos seres humanos envolve o conhecimento de que uma figura de apego está disponível proporcionando um sentimento de segurança. A falta dessa segurança pode desenvolver uma visão negativa de si, e se tornar um fator de risco para o desenvolvimento de transtornos. Vários estudos apontam uma relação entre estilos de apego inseguro e TA. Além disso, propõe que deficiências em habilidades sociais estão relacionadas aos TA. Finalmente, existem algumas provas sugerindo a relação entre estilos de apego inseguro e deficiências em habilidades sociais. A criança que não tem suas necessidades atendidas irá construir estilos de apego caracterizados por uma forma insegura, favorecendo o desenvolvimento de comportamentos sociais inadequados. Junto a isso, a influência cultural favorecendo uma valorização pessoal através da magreza poderá contribuir para que esses indivíduos acreditem que essa é a forma mais viável de se vincular as pessoas. Tais dados sugerem a existência de relação entre estilos de apego inseguro, déficits em habilidades sociais e TA, embora não haja nenhum estudo mostrando essas relações. No presente trabalho serão apresentados alguns dados empíricos que sustentam essas relações.

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