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"Os principais problemas enfrentados hoje pelo mundo só poderão ser resolvidos

 se melhorarmos nossa compreensão do comportamento humano" (Skinner, 1974, p.8)

 

 

Programação XVIII Encontro ABPMC - 2009

MESA REDONDA

Título da mesa: Discussões acerca do Transtorno de Personalidade Histriônica
Coordenador: HERIKA  SADI, FUMEC/USP
Resumo: As concepções tradicionais de personalidade sempre estiveram atreladas a uma perspectiva estruturalista. Tal motivo influenciou terapeutas comportamentais a negligenciar por certo tempo o estudo e a intervenção em casos classificados como Transtorno de Personalidade Histriônica. Skinner enfatizou que não há existência de um “eu” que é responsável pela ocorrência de comportamentos. Há rejeição de um “eu” iniciador que dirige a ação. Para Skinner, um “eu” ou uma personalidade é, na melhor das hipóteses, um repertório de comportamentos partilhados por um conjunto organizado de contingências, ou seja, um repertório comportamental adquirido. Desta forma, o conceito de personalidade pode ser compreendido, a partir dos pressupostos do Behaviorismo Radical, como um conjunto de comportamentos aprendidos pela pessoa, ou seja, multideterminado pelos três níveis de seleção do comportamento: a filogênese, a ontogênese e a cultura. Considerando o aspecto ontogenético, os objetivos da presente mesa são: 1) apresentar os principais aspectos que caracterizam o Transtorno de Personalidade Histriônica, articulando-os com os princípios comportamentais, 2) apresentar a Psicoterapia Analítica Funcional como uma possibilidade de intervenção efetiva para casos de Transtorno Personalidade Histriônica e 3)apresentar um relato de caso no qual as topografias de respostas conduziam para o Transtorno Obssessivo-Compulsivo e Transtorno Alimentar, mas que ao se levantar as relações de contingência destes comportamentos, chegou-se a um padrão funcional histriônico.
 
Autor(es) apresentação 1 :
HERIKA  SADI, FUMEC/USP
Resumo apresentação1 : A maior parte das explicações sobre as noções de personalidade apresentadas na Psicologia recorrem a uma concepção estruturalista. Sendo a Terapia Analítico Comportamental uma terapia baseada nos pressupostos filosóficos do Behaviorismo Radical de Skinner, parece incoerente pensar em uma discussão ou análise de Transtornos de Personalidade, na medida em que o Behaviorismo faz objeções à noção de estrutura para se explicar porque o homem se comporta da maneira que o faz. Contudo, Skinner, em About Behaviorism, apresenta a concepção Behaviorista Radical de personalidade, dizendo que um “eu” ou uma personalidade é, na melhor das hipóteses, um repertório de comportamentos partilhados por um conjunto organizado de contingências, ou seja, um repertório comportamental adquirido. Um padrão comportamental relativamente estável ao longo da vida de um indivíduo pode ser o equivalente ao que é chamado de personalidade. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, DSM-IV(APA) apresenta alguns critérios e topografias de respostas consideradas típicas para o que foi denominado Transtorno de Personalidade Histriônica. O Transtorno de Personalidade Histriônica caracteriza-se,fundamentalmente, por uma excessiva emocionalidade e busca por atenção. Indivíduos que apresentam este transtorno de personalidade encontram-se constantemente em busca de elogios, aprovação e validação do ambiente social. Apresentam um comportamento dramático de busca de atenção. Possuem um comportamento excessivamente reativo e intenso, não conseguindo ficar sob controle de conseqüências atrasadas. Os indivíduos com TPH desenvolvem relacionamentos interpessoais tempestuosos e pouco gratificantes. Em virtude da dependência da atenção das pessoas, os indivíduos com THP costumam procurar a terapia quando se tornam intensamente perturbados por uma ruptura ou ameaça de ruptura de um relacionamento. O objetivo deste trabalho é apresentar os principais aspectos e características deste transtorno e articulá-los com os princípios comportamentais.
 
Autor(es) apresentação 2 :
CLAUDIA  OSHIRO, USP
Resumo apresentação 2 : A literatura da área de Psicologia Clínica aponta que os clientes considerados difíceis (passagem por várias terapias e tratamentos, baixo índice de adesão ao tratamento) em terapia geralmente são aqueles que apresentam algum tipo de dificuldade nos relacionamentos interpessoais. Esses clientes, geralmente os que apresentam transtornos de personalidade, mostram um prejuízo significativo nos relacionamentos interpessoais, e esta questão vai aparecer no estabelecimento da relação terapêutica. Desta forma, há uma relação direta entre os comportamentos do terapeuta e do cliente emitidos durante a sessão. A literatura dessa área mostra que uma relação terapêutica positiva é preditiva de tratamentos bem sucedidos. Desta forma, considerando que os problemas de relacionamento interpessoal dos clientes que ocorrem fora do contexto terapêutico aparecem na relação com o terapeuta, a relação terapêutica tem sido apontada como um instrumento efetivo no processo de mudança. A Psicoterapia Analítica Funcional (PAF) foi desenvolvida por Kohlenberg e Tsai justamente como uma forma de terapia que enfocaria as variáveis da relação terapêutica como instrumentos de mudança comportamental. Assim, a PAF enfoca os comportamentos clinicamente relevantes (CCR) do cliente, isto é, as instâncias funcionais dos comportamentos problemas (CCR1) e dos comportamentos alternativos de melhora (CCR2) que ocorrem no contexto da relação terapêutica. Quando o comportamento clinicamente relevante ocorre em sessão, o terapeuta PAF modela o comportamento do cliente usando as contingências imediatas e naturais, aumentando os CCR2s (que devem ser seguidos de respostas reforçadoras do terapeuta) e diminuindo os CCR1s (seguidos de respostas de punição, extinção, bloqueio de esquiva, reforços diferenciais). Assim, os CCR1s apareceriam em alta freqüência no inicio da terapia e deveriam diminuir de freqüência ao longo do processo. Os CCR2s seriam os comportamentos que deveriam aumentar de freqüência e intensidade ao longo da terapia. Uma terceira classe de comportamentos clinicamente relevantes, os CCR3s, também aparecem no decorrer das sessões de terapia e compreendem as descrições que o cliente faz a respeito das relações funcionais entre as variáveis controladoras de seu comportamento. Apesar de dificuldades metodológicas para se estudar o mecanismo de mudança envolvido na PAF, algumas pesquisas vem sendo desenvolvidas e estão apresentando resultados satisfatórios. O presente trabalho tem como objetivo apresentar e discutir estudos sobre a PAF e o transtorno de personalidade.
 
Autor(es) apresentação 3 :
LUCIANA  LEAO, CLINICA PARTICULAR
HERIKA  SADI, FUMEC/USP
Resumo apresentação 3 : O trabalho consiste em um relato de caso clínico atendido dentro do modelo da Terapia Analítico-Comportamental e tem como objetivo identificar qual a função de topografias de respostas que preenchem os critérios diagnósticos do DSM IV para Transtorno Obsessivo Compulsivo e Anorexia/Bulimia. Paula (20), segundo grau incompleto, morava com a mãe, o irmão e o padrasto. Seus pais nunca foram casados e ela recebia uma boa pensão de seu pai. Recentemente, o pai entrou com um processo judicial para a diminuição do benefício, o que foi um evento fortemente estressor na vida da cliente. Foi então que procurou, novamente, por terapia, depois de já ter passado por vários processos terapêuticos. O problema central da cliente estava no excesso de comportamentos de fuga/esquiva de responsabilidades, numa recusa em crescer e assumir-se como adulta. Alguns sintomas apresentados por ela eram: disfunção alimentar (não comer ou comer compulsivamente e vomitar em seguida); ansiedade excessiva; agressividade ao ser contrariada; impulsividade; dizer que era controlada pelo seu “pensamento” e, se não o obedecesse, algo de muito ruim poderia acontecer; realização de “rituais” públicos que envolviam as pessoas em sua volta, etc. Assim, recusava-se a freqüentar as aulas, a procurar um emprego, a comparecer regularmente às sessões de terapia, a tomar a medicação psiquiátrica de forma correta, etc. Podemos considerar todas essas topografias de respostas como pertencentes a uma mesma classe, já que produziam uma mesma conseqüência: atenção das pessoas próximas a ela. Conseguiu descontos em academias e tratamento especial no colégio ao relatar sobre suas “doenças”. Manteve o valor de sua pensão alegando incapacidade para trabalhar, além de receber atenção exclusiva da mãe que deixou de trabalhar fora para cuidar dela. Da análise funcional do caso conclui-se que o padrão comportamental de Paula era fundamentalmente histriônico, o que reafirma a importância da busca pela função dos comportamentos na vida de cada cliente e ratifica a necessidade de ir além de um diagnóstico orientado exclusivamente pela topografia.

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