Resumo: Behavioristas radicais via de regra supõem ou afirmam que o comportamento humano é completamente determinado. O assunto pode ser discutido, dentro e fora da comunidade behaviorista radical. Não obstante, tomando-se grosso modo a suposição ou afirmação do determinismo como uma descrição acurada da posição dos behavioristas radicais na controvérsia entre determinismo e liberdade, restaria algum sentido possível para o conceito de liberdade? Palavras, afirmava Skinner, adquirem diferentes significados de acordo com os contextos que controlam sua emissão. O mesmo se aplica à palavra “liberdade” – e, neste sentido, alguns sentidos da palavra são aceitáveis para os behavioristas radicais. É o caso das liberdades política, econômica, religiosa, etc. – nas quais trata-se tão-somente de apontar para a ausência de contingências coercivas que coíbam a emissão certos comportamentos ou obriguem a emissão de outros. Além disso, o behaviorismo radical aponta a importância, em diversos contextos, do exercício do autocontrole. Para exercer autocontrole, uma pessoa ou uma comunidade precisa (1) saber quais as variáveis que controlam seu comportamento e (2) exercer algum grau de controle sobre tais variáveis. Sob tais condições, esta pessoa ou comunidade terá condições de controlar seu próprio comportamento no estrito sentido de alterar variáveis das quais ele é função. Isso não contrasta, de forma alguma, com a suposição ou afirmação da determinação do comportamento, visto que o próprio comportamento de autocontrole é, por sua vez, controlado. Mas o conceito de autocontrole permite aos behavioristas radicais conferir um novo sentido – limitado, é claro – à palavra liberdade. Considerado este novo sentido, pode-se, inclusive, considerar a educação para a liberdade como uma tarefa importante para os behavioristas radicais. Uma educação para a liberdade estimula a formação de cidadãos críticos e bem informados, e pode cumprir papel ético e político importante para os behavioristas radicais, considerando os objetivos de suas intervenções. O behaviorismo radical acaba por se mostrar, sob esse ponto de vista, como uma filosofia libertária. |