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"Os principais problemas enfrentados hoje pelo mundo só poderão ser resolvidos

 se melhorarmos nossa compreensão do comportamento humano" (Skinner, 1974, p.8)

 

 

Programação XVIII Encontro ABPMC - 2009

MESA REDONDA

Título da mesa: Uma nova proposta de análise do Desamparo Aprendido: implicações teóricas e aplicadas
Coordenador: Maria Helena Leite  Hunziker, USP
Resumo: O efeito de desamparo aprendido (DA.) é caracterizado pela dificuldade de aprendizagem de uma relação operante após a exposição do sujeito a estímulos aversivos incontroláveis. Devido a similaridades entre o comportamento, etiologia, prevenção e cura de animais submetidos à estimulação aversiva incontrolável e pessoas deprimidas, o DA foi proposto como modelo animal de depressão. Algumas hipóteses foram formuladas para explicar esse efeito, sendo que a mais difundida sugere que os indivíduos aprendem que nenhuma de suas respostas possui relação com o início e o término dos estímulos aversivos; posteriormente, esta aprendizagem se generaliza para novas situações onde o controle é possível, dificultando a aprendizagem dessas novas relações.Apesar de bem estabelecido como efeito, dados recentes obtidos pelo Laboratório de Análise Biocomportamental da Universidade de São Paulo contrariam essa hipótese explicativa do DA. Essa Mesa terá por objetivo re-analisar o DA como modelo animal de depressão propondo, a partir desses dados recentes, uma nova hipótese explicativa do efeito e discutindo suas implicações tanto para a pesquisa básica como para a aplicação clínica.
 
Autor(es) apresentação 1 :
Maria Helena Leite  Hunziker, USP
Tauane Paula  Gehm, USP
Cristiano Valério  Santos, Universidad de Guadalajara
Resumo apresentação1 : Tem sido considerado que o sujeito submetido a estímulos aversivos incontroláveis aprende que não pode exercer controle sobre o seu ambiente, o que dificulta, posteriormente, que ele aprenda novas relações operantes gerando o efeito conhecido por desamparo aprendido. Nessa apresentação serão analisados dados experimentais que contrariam essa hipótese explicativa do desamparo aprendido. Será proposta uma nova explicação que contemple esses e outros resultados aparentemente controversos. Como ponto básico, será sugerido que os estímulos aversivos incontroláveis produzem sensibilização do sujeito a determinados aspectos da contingência, tais como a contigüidade e o controle de estímulos. Assim, a depender da contingência em vigor, os sujeitos podem apresentar , ou não, dificuldade de aprendizagem, podendo mesmo haver facilitação. Serão discutidas algumas implicações dessa nova interpretação do desamparo aprendido dentro do corpo de conhecimentos da análise do comportamento.
 
Autor(es) apresentação 2 :
Thrissy Collares  Maestri, UFPA
Maria Helena Leite  Hunziker, USP
Resumo apresentação 2 : A depressão é uma psicopatologia que tem sido bastante investigada em laboratório, entretanto muitos dos modelos propostos para explicá-la não alcançam critérios objetivos de validação. Nesse contexto o desamparo aprendido tem se mostrado um modelo confiável para a investigação científica, dadas as características comuns entre o modelo e a psicopatologia. Willner (1985, 1991) aponta como critérios de validação a similaridade quanto à etiologia, às bases bioquímicas, a sintomatologia e o tratamento. De fato, baseando-se nesses critérios a analogia entre o desamparo aprendido e a depressão é pertinente. Contudo, como pano de fundo do desamparo aprendido está a asserção de que os animais que foram submetidos a eventos aversivos incontroláveis aprenderam a independência entre seu comportamento e os eventos ambientais. Os dados produzidos em laboratório foram, por muito tempo, explicados a partir deste princípio. Será analisado o fato de que dados recentes não são compatíveis com essa explicação, trazendo à discussão o quanto ela possibilita a compreensão desse efeito comportamental.
 
Autor(es) apresentação 3 :
Paulo Roberto  Abreu, USP
Resumo apresentação 3 : Tradicionalmente a análise comportamental clínica vem interpretando os comportamentos característicos da depressão como sendo função da baixa taxa de reforçamento positivo. Contudo alguns autores sugerem cautela na adoção dessa interpretação. Dados autores afirmam que seria mais emergente a análise das contingências que impedem o aparecimento das classes de respostas reforçadas positivamente antes que um déficit fosse assumido como sendo uma variável crítica na instalação e manutenção dos comportamentos depressivos. Dados de pesquisa mostram que o controle aversivo pode suprimir respostas positivamente reforçadas, sendo de interesse para o estudo da depressão a perda da efetividade do comportamento operante que ocorre em ambientes sociais com apresentação de estimulação aversiva incontrolável. Nesse sentido, o modelo animal do desamparo aprendido oferece possibilidades diferenciais de análise do fenômeno clínico por descrever como os clientes podem desenvolver um repertório depressivo durante e após a exposição à estimulação não contingente. Estratégias clínicas serão apresentadas e discutidas.

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