Resumo: A incidência do parto cesáreo tem aumentado no Brasil, principalmente pelo avanço das técnicas cirúrgicas e fatores socioculturais, porém oferece riscos ao bebê. Além disso, a cesariana acarreta em uma recuperação mais difícil para a mãe, fato que a separa de seu filho por mais tempo, levando a uma demora no primeiro contato destes e no início da amamentação. O objetivo do presente estudo consistiu em comparar o tipo de parto (natural ou cesáreo) de 38 bebês e o desenvolvimento destes em seus seis primeiros meses de vida. Os sujeitos dessa pesquisa representam uma população de bebês considerados de risco: baixo peso, prematuros ou filhos de mães adolescentes, além de bebês controle. O instrumento utilizado para a avaliação do desenvolvimento dos bebês foi o Inventário Portage Operacionalizado. Este instrumento é composto por 580 comportamentos que abrangem cinco áreas de desenvolvimento: autocuidados, linguagem, socialização, cognição e desenvolvimento motor. No presente estudo foram avaliados 154 comportamentos. Diante dos resultados, pôde-se perceber uma oscilação no desempenho médio do desenvolvimento entre os dois tipos de parto. Devido à escassa literatura sobre este tema, principalmente no que concerne aos benefícios e malefícios de ambos os partos para os bebês, é inviável fazer alguma afirmação concreta. No entanto, percebe-se uma prevalência no desempenho médio do desenvolvimento relacionado ao parto normal apenas nos dois primeiros meses de vida do bebê. Deve-se a isso, provavelmente, o fato de a cesariana ser um procedimento invasivo e, portanto, a mãe estaria impossibilitada de fornecer o estímulo necessário ao bebê após o parto. Uma possível explicação para o alto desempenho dos bebês de parto cesáreo após o segundo mês de vida, talvez esteja no fato de as mães, posterior ao período crítico do pós-parto, dedicarem-se mais ao cuidado dos filhos. Portanto, hipotetiza-se que o principal fator envolvido no desempenho do desenvolvimento de bebês nos primeiros seis meses de vida seja o processo de estimulação e vínculo mãe-bebê, e não os diferentes tipos de parto. Neste sentido, a teoria analítico-comportamental atua na orientação aos pais, segundo a relação organismo-ambiente, facilitando a avaliação e a implementação de programas de intervenção que promovam comportamentos adequados, visando a prevenção e manutenção da saúde da mãe e do bebê. E diante disso, sugere-se que estudos longitudinais sejam conduzidos para verificar esta hipótese. |