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"Os principais problemas enfrentados hoje pelo mundo só poderão ser resolvidos

 se melhorarmos nossa compreensão do comportamento humano" (Skinner, 1974, p.8)

 

 

Programação XVIII Encontro ABPMC - 2009

MESA REDONDA

Título da mesa: Estudos de casos clínicos conduzidos pela Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR) I
Coordenador: Valéria Bertoldi  Peres, ITCR
Resumo: Apresentação de três estudos de caso clínico segundo a Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR).
 
Autor(es) apresentação 1 :
Najara Karine   Almeida, ITCR
Andréia Cláudia   Marianno, ITCR
Resumo apresentação1 : Produtos de uma história de privação afetiva e social. Um estudo de caso clínico segundo a Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR) Este trabalho refere-se ao relato de um caso clínico com duração de nove meses e seu objetivo foi de analisar as contingências envolvidas de forma a ilustrar o produto de privações afetivas e sociais aliadas à modelagem de uma classe de respostas: falar. Miguel (nome fictício), 40 anos, é o quarto de quatro filhos: Juliana (51), Pedro (48) e Janaína (44) e natural de uma cidade do interior paulista. Residia há aproximadamente dois anos com um amigo, Maurício (35) e namorava Áudria (32), com quem tinha uma filha, Luzia (2). O cliente chegou com a queixa: “Eu sou muito curioso e gosto de tentar entender Psicologia; quero repensar a vida e objetivo um auxílio externo para isso”. Analisando o histórico de vida, a queixa inicial apresentada e o repertório atual de Miguel, a terapeuta identificou que ele não ficava sob controle de estímulos, através dos quais a resposta de falar não produziria reforço (não discriminava SΔs); diante de um Sd que sinalizava que a R de falar seria reforçada, ele apresentava um excesso comportamental: alta freqüência de emissão de respostas de falar, que, eventualmente, acabava produzindo comentários críticos por parte do ouvinte; emitia respostas com função aversiva quando as pessoas descreviam os sentimentos adversos que ele produzia nelas, não aceitando as críticas apontadas pelos outros; e apresentava alta freqüência de comportamentos governados por regras e autorregras arbitrárias. Os procedimentos terapêuticos envolviam, de forma geral, emissão de comentários, com possível função reforçadora, e questionamentos ao cliente com a função de não deixá-lo sob controle de possíveis autorregras, para que ele ficasse mais sensível às contingências em operação; emissão de tatos verbais para que o cliente ficasse mais sob controle de explicações parcimoniosas e de estimulação reforçadora do que de explicações sob controle de estimulação aversiva, e consequenciação com elogios, com possível função reforçadora positiva, à descrição de sentimentos em sessão, programando generalização no ambiente natural com pessoas com alta probabilidade de consequenciar da mesma maneira, instruindo-o a emitir respostas da mesma classe com pessoas que tinham alta probabilidade de reforçá-las. Como resultados destacam-se: em relação à Áudria - emissão de respostas controladas por contingências, cessar de brigas e emissão de mais respostas de afeto; e como aspectos gerais – descrição de sentimentos, independente de Sds emitidos pela terapeuta; comentário do cliente de estar se exercitando para “relaxar”, não ficando somente sob controle de possível estimulação aversiva do ambiente, elogios dos colegas do trabalho por ele ser “uma pessoa atenta aos outros, prestativa e pró ativa”. Por fim pode-se dizer que o repertório adequado de Miguel alterou de forma significativa a condição de privação social que ele vivia, uma vez que ele se tornou uma pessoa mais sensível e reforçadora ao outro.
 
Autor(es) apresentação 2 :
Valéria Bertoldi  Peres, ITCR
Noreen Campbell  Aguirre, ITCR
Hélio José  Guilhardi, ITCR
Resumo apresentação 2 : “Depressão” – produto de déficit de repertório adequado na relação conjugal. Este trabalho refere-se ao relato de um caso clínico em TCR, com objetivo de analisar o quadro “depressivo” e de incontrolabilidade em que Sonia estava inserida. A cliente, Sonia (44), dona de casa, ensino médio completo, casada com Marcos (44) há 12 anos, tem dois filhos, um menino de 9 e uma menina de 8 anos. As queixas da cliente referiam-se ao complicado relacionamento com o marido e ao relacionamento social pobre, produtos de sua história de contingências na família de origem. Tal arranjo de contingências continuou a ser mantido pelo marido após o casamento. Sonia vivia em uma contingência de incontrolabilidade: qualquer comportamento que emitia era punido. A psicoterapeuta traçou os seguintes objetivos terapêuticos: conscientizar a cliente das contingências atuais às quais estava exposta (incontrabilidade); fornecer opções de contracontrole por parte da cliente em situações em que ela emitia comportamentos de fuga-esquiva inadequados; instalar classes de comportamentos para busca de reforçadores positivos: ampliando o ambiente social, melhorando a qualidade da relação com o marido, com os filhos e com outras pessoas de sua convivência. Durante o processo terapêutico, a psicoterapeuta analisava com a cliente cada situação, para que ela discriminasse: a) as contingências que mantinham determinados comportamentos inadequados, tanto por parte dela como das pessoas de sua convivência; b) quais eram as consequências das suas ações; e c) como poderia mudar as situações que lhe eram aversivas. Novas regras eram passadas para que ela conseguisse emitir comportamentos adequados de contracontrole ou de fuga-esquiva, frente a situações coercitivas, principalmente com o marido, ao invés de emitir comportamentos de fuga-esquiva inadequados (desmaios, vômitos e choro compulsivo) que faziam com que os problemas (principalmente os conjugais) se mantivessem. Consequentemente, tais regras também tinham por objetivo aumentar o repertório comportamental de Sonia, ou seja, ampliar as fontes de reforço. Sonia ficou sob controle da maioria das orientações formuladas pela psicoterapeuta na sessão. No seu ambiente social, no entanto, e principalmente com o marido, a emissão de comportamentos controlados pelas orientações da psicoterapeuta era punida com ameaças e agressões, o que levava Sonia a não se comportar e, consequentemente, não se alteravam as contingências em que estava inserida. A cliente continua em processo psicoterapêutico e novos procedimentos serão utilizados.
 
Autor(es) apresentação 3 :
César Augusto   Curvello de Mendonça , ITCR
Hélio José  Guilhardi, ITCR
Resumo apresentação 3 : Terapia de casal: duas histórias de contingências que produzem para ambos uma relação insatisfatória. A queixa principal de Marcos (44) era estar confuso não ter conseguido encontrar sua identidade, tendo dificuldade em avaliar o certo e o errado, e apresentando sentimentos de estar sendo julgado. Relatou situações em que gostaria de reagir, porem não o fazia por medo de explodir e depois se sentia incapaz por não ter reagido. Estes pensamentos o incomodavam, pois apareciam em diversas situações, fazendo que ele cedesse em relação a aspectos com que não concordava, tornando-se agressivo e sentindo-se culpado posteriormente. Marcos foi exposto uma história de contingências que não evidenciavam as regras claramente, ora sendo punido por comportamentos adequados, ora reforçado por comportamentos inadequados. Ele tornou-se incapaz de discriminar o que seriam contingências reforçadoras para ele, ficando sob controle do comportamento do outro, ou seja, de reforços arbitrários. Sua privação de reforços positivos produzia frustração e maior predisposição a agredir. No casamento, estes sentimentos se intensificaram quando sua esposa, com um déficit comportamental importante, passou a controlar o comportamento de Marcos pela emissão de comportamentos inconsistentes variando dependência extrema a exigência e agressividade. Nossos objetivos foram desenvolver repertórios de observação e descrição das contingências para responder adequadamente as conseqüências; de expressar do que era positivamente reforçador e desenvolver repertorio social adequado. Neste processo, tornou-se essencial alteração das contingências entre o casal, uma vez eles representavam mutuamente o papel de ambiente um para o outro.

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