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"Os principais problemas enfrentados hoje pelo mundo só poderão ser resolvidos

 se melhorarmos nossa compreensão do comportamento humano" (Skinner, 1974, p.8)

 

 

Programação XVIII Encontro ABPMC - 2009

MESA REDONDA

Título da mesa: Reflexões sobre Análise do Comportamento e Sociologia
Coordenador: Carolina  Laurenti, Universidade Federal de São Carlos
Resumo: Na perspectiva skinneriana, a compreensão do comportamento como um todo demanda um esforço transdisciplinar, que solicita a invasão de fronteiras disciplinares. Esta mesa tem como objetivo criar um contexto para o estabelecimento de um diálogo virtuoso entre Análise do Comportamento e Sociologia. A idéia de diálogo virtuoso merece ser detalhada. É um diálogo, pois se admite, de antemão, a legitimidade tanto do discurso da Sociologia, quanto da Análise do Comportamento. Não se trata de a Análise do Comportamento recorrer às reflexões sociológicas para tão-somente legitimar seu próprio discurso sobre comportamentos sociais; e tampouco reduzir fenômenos comportamentais a explicações da Sociologia. Trata-se, isto sim, de um diálogo que encoraja a busca por afinidades, pontos de contato, convergências, de modo que cada um dos interlocutores problematize a sua própria prática científica à luz das reflexões fomentadas pela outra disciplina. O diálogo também pretende ser virtuoso porque almeja ter como produto a construção de um terceiro discurso, que combine reflexões da Análise do Comportamento e da Sociologia. Tal discurso deve ser capaz de promover não só o entendimento de fenômenos complexos, como as práticas culturais, mas também a possibilidade de delinear ações com vistas a mudanças sócio-culturais mais profundas. É com esse background que esta mesa busca promover uma "conversa" entre B. F. Skinner (1904-1990) e outros três eminentes pensadores dos fenômenos sociológicos: Jared Diamond (1937-), Richard Sennett (1943-) e Boaventura de Sousa Santos (1940-). No primeiro caso, tendo como pano de fundo o livro Colapso, são tecidas semelhanças entre Diamond e Skinner no tocante à interpretação do papel das conseqüências de práticas culturais sobre o destino das culturas. No caso de Sennett, são examinadas as condições históricas, econômicas e sociais do surgimento do mentalismo no contexto da modernidade, sobretudo no que concerne à relação público-privado. Já com Boaventura, discutimos algumas condições teóricas e sociais responsáveis pela emergência de um novo paradigma na ciência, cujos contornos podem ser esboçados a partir dos sinais da crise paradigmática da ciência moderna. Essas discussões não apenas lançam luz sobre o lugar ocupado pelo Behaviorismo Radical nesses assuntos, mas mostram também que a filosofia da ciência skinneriana pode ganhar muito se voltando para as reflexões empreendidas pela Sociologia.
 
Autor(es) apresentação 1 :
Alexandre  Dittrich, Universidade Federal do Paraná
Resumo apresentação1 : B. F. SKINNER, J. M. DIAMOND E A EVOLUÇÃO DAS CULTURAS Um dos aspectos mais interessantes e polêmicos da obra de B. F. Skinner é sua interpretação sobre a evolução das culturas. De acordo com o autor, as conseqüências de práticas culturais retroagem sobre as culturas, no sentido de aumentar ou diminuir suas chances de sobrevivência. O livro “Colapso”, do biólogo e geógrafo norte-americano Jared Diaomond, apresenta semelhanças marcantes com a teoria de Skinner, evidenciando que as conseqüências de práticas culturais têm influência decisiva sobre o destino das culturas. A obra de Diamond serve como complemento à teoria skinneriana, pois ilustra com exemplos concretos as afirmações gerais de Skinner sobre a evolução das culturas e, com isso, confere-lhes maior clareza e credibilidade. Diversas semelhanças entre as análises de Skinner e Diamond são claramente perceptíveis, entre elas as seguintes: ambos apontam fatores semelhantes na determinação da sobrevivência das culturas; ambos apontam a sobrevivência das culturas como um valor prospectivo, evidenciando a necessidade de que as culturas planejem seu futuro; ambos apontam a importância de que as culturas saibam quando manter ou modificar suas práticas; ambos apontam a importância do planejamento de longo prazo, privilegiando o bem das culturas em detrimento de bens pessoais; ambos apontam para a importância de práticas de contracontrole em relação às instituições responsáveis pelo planejamento de práticas culturais. As semelhanças entre os dois autores evidenciam também a atualidade da análise skinneriana. Os alertas de Skinner continuam atuais, e sua obra, assim como a de Diamond, serve de alerta para que práticas culturais possivelmente letais para as culturas atuais sejam modificadas.
 
Autor(es) apresentação 2 :
Carlos Eduardo  Lopes, Universidade Estadual de Maringá
Resumo apresentação 2 : RICHARD SENNETT E A CONSTRUÇÃO SOCIAL DO MENTALISMO. Explicações mentalistas são aquelas que consideram os fenômenos psicológicos como anteriores e diferentes do comportamento. Dessa forma, para o mentalismo, ‘psicológico’ não se confunde com ‘comportamental’: fenômenos psicológicos explicam fenômenos comportamentais, ou ainda, o comportamento é sintoma de um funcionamento psicológico antecedente. Essa cisão entre psicológico e comportamental é um dos principais alvos das críticas formuladas pelo behaviorismo à psicologia moderna. O presente trabalho tem como objetivo apresentar uma possível origem do pensamento mentalista moderno. Para tanto, recorreremos às análises do sociólogo norte-americano Richard Sennett. O alvo de Sennett são as relações sociais modernas, que são fundamentadas exclusivamente em interesses privados, e que têm como contexto a psicologização da sociedade moderna. Mas a que tipo de psicologia Sennett se refere? Segundo o sociólogo, no coração da psicologização da sociedade moderna encontramos a cisão entre a experiência e ação, o que remete diretamente ao mentalismo (embora o autor não empregue essa terminologia). A origem dessa cisão é encontrada na falência do ideal de equilibrio entre relações públicas e privadas, formulado no século XVIII. Segundo esse ideal, a civilidade do ser humano seria construída nas relações com estranhos (públicas). Assim, a formação do ser humano passaria necessariamente por dois domínios, regidos por princípios específicos e que, por isso, não se confundem: os domínios público e privado. Em poucas palavras, o fracasso do ideal de equilíbrio entre os domínios público e privado é produto da falta de referenciais que permitissem um mínimo de segurança no domínio público. Os séculos XVIII e XIX viram o desaparecimento dos referencias tradicionais para a relação com estranhos. Essa insegurança pública fez com que as pessoas buscassem segurança em relações familiares (privadas). O fracasso do ideal da família burguesa retirou a segurança também do domínio familiar, fazendo com que as pessoas se voltassem para o único domínio seguro: elas mesmas. Surge aqui, a distinção entre psicológico (privado) e comportamental (público). Evidentemente, nessa visão, o psicológico é mais legítimo que o comportamental, pois há um descompasso entre os dois domínios: as ações nem sempre revelam o que a pessoa está sentindo. Se essa análise estiver correta, o Behaviorismo Radical parece ganhar força: trata-se de uma proposta psicológica que se contrapõe à cultura moderna, bem como aos problemas sociais oriundos dessa cultura.
 
Autor(es) apresentação 3 :
Carolina  Laurenti, Universidade Federal de São Carlos
Resumo apresentação 3 : BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS, B. F. SKINNER E O PARADIGMA EMERGENTE NA CIÊNCIA. Reflexões no âmbito da sociologia das ciências têm lançado nova luz sobre a produção de conhecimento científico. Sob esse prisma, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, mediante a análise de algumas condições teóricas e sociológicas, argumenta que o final do século XX e início do século XXI são o palco do surgimento de um novo paradigma científico. É certo que ainda não podemos desenhar contornos nítidos desse paradigma, pois estamos no seio de seu próprio processo de gestação. Não obstante, entende-se que esse modelo emerge como resultado do colapso do paradigma da ciência moderna, que se pauta em alguns princípios, tais como: dicotomia entre ciências naturais e sociais; desprezo pelo senso comum; busca da verdade absoluta; ênfase na previsão e controle da natureza; determinismo; mecanicismo; causalidade formal; quantificação; redução da complexidade, dentre outros. Nesse sentido, é possível esboçar algumas características desse paradigma pós-moderno examinando os principais aspectos do paradigma moderno e os sinais de crise desse paradigma, cuja derrocada já se anunciou. O objetivo inicial deste trabalho é apresentar essa discussão na perspectiva de Boaventura na tentativa de compor um cenário para a Análise do Comportamento refletir sua própria prática científica. Essa ciência está em descompasso com a evolução das ciências, ou se encontra pari passu à emergência de um novo paradigma? Um exame dessas questões à luz do Behaviorismo Radical sugere que a Análise do Comportamento pode se situar em diferentes momentos desse processo. A ciência comportamento já flertou, por exemplo, com o positivismo, empirismo, mecanicismo e determinismo estrito. Nesse ponto, ela parece estar em descompasso com a história das ciências, já que encontra afinidades e suporte no paradigma moderno. Por outro lado, em alguns momentos, a proposta skinneriana mostra afinidades com o pragmatismo, selecionismo e probabilismo. Sob essa ótica, a Análise do Comportamento não apenas se afinaria com a história das ciências, mas também teria condições de contribuir com o delineamento dos contornos do paradigma emergente. Enfim, a depender de como a Análise do Comportamento conduz sua prática científica, ela pode se apresentar como uma ciência moderna ou pós-moderna.

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